Quando engravidei nunca havia pensado sobre amamentar, não me imaginava fazendo, não conhecia os beneficios.
Eu li, li muito, decretei: Irei amamentar meu filho até ele completar 2 anos.
Quando eu falava isso a certas pessoas ouvia criticas. Deixei rolar.
Felipe desmamou aos 4 meses e alguns dias.
Eu nunca comentei aqui o que senti nessa época.
Uma tristeza imensa.
Foi uma fase difícil.
Algo tão frio quando eu via ele mamando em sua mamadeira...
Pessoas que faziam comentários do tipo, LM
(leite materno) ou LA
(leite artificial) tanto faz.
Não "tanto fazia" pra mim.
Era pela saúde do meu filho.
Era o nosso momento.
Era o calor do corpo dele envolvido pelo calor dos meus braços.
Era o carinho das suas pequenas mãos, e o amor que transbordava em mim naquele momento.
Era a nossa horinha, dias a cada três horas, outros de hora em hora.
Eu nunca contei no relógio a hora do mama do Felipe, o alimentei em LD
(livre demanda) a qualquer resmungo dele, nós dois sabíamos nos comunicar, sabíamos a hora do MAMA.
Eu nunca neguei alimento ao filho, independente da hora, local, ou situação.
Fica a dica pra muitas mamães, leiam, pesquisem os beneficios da livre demanda, esqueçam o relógio, as horas, os minutos.
Quando Felipe ficou resfriado e não quis mais mamar, eu me senti derrotada, envergonhada, eu extraia leite com a bombinha, dava no copinho, nada adiantou, introduzimos o LA como complemento já que ele não queria saber do peito. Simplismente assim... Felipe desmamou.
Com copo de treinamento, como muito leite no peito.
Eu me senti a pior mãe do mundo, eu que não tive NENHUM problema com a amamentação não amamentei meu filho.
Meu seio não rachou, meu leite não empedrou, eu jorrava leite, Felipe nasceu magrinho, mas engordou graças ao meu leite, eu sabia que a história de leite fraco não existia. Eu era bem informada, eu busquei ajuda, e de nada adiantou. Eu sofri mesmo assim, mesmo sabendo que eu fui atrás, que eu insisti.
Quando saía com ele, as pessoas comentavam o quanto grande ele era, me perguntavam: "Ele mama no peito?"
Eu me sentia uma derrotada em dizer que não.
Lendo relatos na
GVA (uma comunidade do orkut, ótima por sinal) vi que muitas mães dão mamadeira para seus filhos dormirem a noite toda, outras por que precisam ir a festas, jantares.
Eu nunca entendi o por que!
Se vai sair de casa, é tão simples, porém não fácil, extrair leite manualmente que seja e congela-lo, manter um pequeno estoque pra possíveis emergências, pra saídas exporadicas. Vale a pena!
Quando me falavam de LA pra ele dormir melhor, eu sempre comparei o LM a um caldinho de feijão, e o LA a feijoada completa, se é que vcs me entendem.
Eu nunca me incomodei em acordar a cada 1hr pra amamenta-lo.
Amamentar pra mim sempre foi prazeroso, dormir amamentando, saber que só eu posso acalmar minha cria quando ele sentia fome, quando estava com sede.
Talvez falte a algumas mães esse sentimento:
Prazer, amamentar não é obrigação.
Com o desmame outras coisas nos entristecem, nós perdemos o controle de algumas coisas, já não somos tão necessárias aos nossos filhos.
Com o desmame do meu filho, ele não perdeu nada.
Desmamou aos seus qse 5 meses, iniciou os sólidos no dia 14 de março, 1 dia antes do seu 5º mêsversário, e ali iniciou uma rotina com alimentação saudável, o que também lhe garantiria uma vida boa!
Eu perdi.
Perdi coisas inexplicáveis.
Que só uma mãe que passa pelo o que eu passei sente.
Hoje eu vejo crianças na idade do meu filho, enormes, aninhadas no colo das suas mães, mamando, adormecendo naquele colo confortável, eu sinto inveja, mas nesse mesmo momento eu tenho a certeza que eu fiz o que eu pude!
Resolvi escrever hoje pois reli e me emocionei esse antigo post -
aqui e com esse
aqui.
Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.
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